Medo

Em meio a escuridão, ela aparentava paz. Estendida sobre a cama, olhos cerrados, pernas cruzadas e uma suave expressão no rosto. Seu mundo funcionava em separado da pulsante cidade lá fora. Poucos, entretanto, compreendem a difícil tarefa que enfrentava em seu interior. Procurando convencer a si mesma de que estava segura, repetia mentalmente: “Só crianças acreditam em monstros”. Seu esforço para manter-se concentrava lhe aparentava vão; retornavam e passavam como um flash-back as imagens que temia.

Abria os olhos, amedrontada. Só para sentir-se estúpida. Não temia durante o dia, na luz. A falta dela era o que envocava o infundado temor. Não conseguia compreender a falta de coragem e de segurança. Tudo o que ela mais queria é que aquilo fosse embora…

~ por Ariane Neuhaus em Março 24, 2009.

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