Janela – Parte 2
Procurei um trinco e nada encontrei. Olhando com cuidado, vi uma nesga de luz que vinha de dentro da madeira. Teria de tirar aquele vidro e a madeira da frente e enxergar o que havia entre os dois lados daquela janela. Mas, se o fizesse, arruinaria a peça. Além do mais, não recordava bem como havia chegado ali. Me ocorreu que poderia ser um sonho, mas aparentava real demais, detalhado demais. Olhando em volta, me senti mal, com uma claustrofobia crescente. Só agora notava que necessitava sair. Tinha que ter chegado de algum modo. E lá estava a janela.
Observei a linda peça de madeira uma última vez. Joguei, então, a cadeira na direção dela, o mais forte que pude. Ao olhar o vidro, um arranhão agora zombava do meu esforço, e a estrutura não havia sequer tremido. As apavoradas formigas corriam desnorteadas para longe da abertura. Largando a perna que restara da cadeira, cai ao chão observando o quão fraca eu era diante da estranha estrutura a qual eu enfrentava. Encarava então o meu fim, trancada diante de algo fisicamente impossível. Um soluço ficou preso na minha garganta e as lágrimas rolavam, pingando no chão perfeitamente alvo. Levantei e soquei, inutilmente, o insistente e zombeteiro vidro, o amaldiçoando com toda a fibra do meu ser.



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