Janela – Parte 1

Suspensa por um fio invisível, há logo a minha frente uma janela. Ela é feita de uma madeira macia e escura que parece sem peso, parada no ar sem apoio de uma parede. A cadeira onde estou sentada, num primeiro momento, é desconfortável; de maneira que me levanto. Intrigada com a janela, vou à ela e observo seu entorno, com belos detalhes de aparência antiga. De repente, noto uma formiga acima dela, toda preta e um tanto perdida. A presença dela me faz sentir aflita; onde ela estava deveria haver um tijolo, uma sustentação para a estrutura de madeira. Pondo meu dedo próximo a ela, levei-a ao chão. Agora percebia a brancura do chão onde pisava, refletivo como um espelho aos meus pés. A pequena formiga corria para uma rachadura profunda que profanava o lindo piso. Saindo dela, havia uma fila de insetos pretos que subia em direção à janela. Me perguntava como não os havia notado antes, sendo que subiam pela parede que não estava lá. Por um furo, iam e voltavam pontinhos pretos através da madeira, alguns com folhas verdes de grama bem maiores que eles mesmos. Fiz a volta na estrutura que flutuava, e a frente era idêntica às costas; não iam a lugar nenhum os insetos. Tentei puxar as portas e elas não abriram. Temi tentar novamente: e se desabasse? Não teria coragem de quebrar algo tão antigo, belo e misterioso.

~ por Ariane Neuhaus em Março 12, 2009.

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